sábado, 14 de janeiro de 2012

Análise Literária da Poesia "Cumplicidade" de Jucelino Gabriel da Cruz



Jucelino Gabriel da Cruz nasceu em 11 de Abril de 1978. É Pedagogo; Especialista em Psicopedagogia, Gestão Escolar e Educação Especial; Pós-Graduando em Mídias na Educação; Mestrando em Ciências da Educação; Poeta amador.
Verifica-se que a poesia Cumplicidade é marcada pela presença de um desejo espontâneo, que vai revelando-se e transformando-se em necessidade, como exemplificado no segundo verso da quarta estrofe, “Círculo vicioso, necessidade”.
Quanto à estrutura interna o eu lírico revela o desejo natural, mas ainda insatisfeito, por uma mulher, ora personificada como Anjo, ora comparada a uma Tigresa. A exigência pela presença, pelo olhar e pelo encontro são características marcantes da poesia, caracterizadas no primeiro verso da primeira estrofe “Na celebração da presença”, no segundo verso da primeira estrofe “Sorriso, olhar revelador” e no terceiro verso da quarta estrofe “Numa mera segurança do porvir”. Essas características se devem ao fato do eu lírico mostrar-se demasiadamente ligado a referida mulher.
A poesia é composta de quatro estrofes contendo quatro versos cada uma, combinando versos de diferentes métricas. Apresenta rimas externas alternadas no esquema AB/AB.
Quanto à estrutura externa, a poesia é construída com versos heptassílabos ou redondilha maior na primeira e segunda estrofe, enquanto a terceira e a quarta se constituem de versos heptassílabos, hexassílabos, decassílabos e hendecassílabos, ou seja, versos livres.
A poesia apresenta diversas figuras de linguagem, que distribuídas em seus versos, contribuem para o enriquecimento da linguagem poética. O segundo verso da primeira estrofe apresenta sinestesia em “Sorriso, olhar revelador”. O terceiro e quarto verso da primeira estrofe, “Igualando a diferença” e “Sublime prelúdio do amor” são versos que expressam sentimentos antagônicos, pois iguala a diferença com um sentimento que se anuncia; o amor.
No terceiro verso da segunda estrofe, apresenta a sinestesia, recurso poético responsável por produzir sensações relativas aos órgãos do sentido “De palpáveis palpites”, e no primeiro verso da terceira estrofe o poeta personifica a mulher desejada em “Eterno Anjo ou Tigresa”.
O eu lírico marca ainda a obra com o emprego da metáfora, como pode ser percebido no segundo verso da terceira estrofe, “A brincar com o tempo?”, onde questiona o longo tempo de duração dessa paixão e do insistente desejo não apagado pelo tempo.
O terceiro verso da terceira estrofe: “Sua ferocidade e delicadeza” é caracterizado com antítese, figura de estilo responsável por aproximar palavras de sentido opostos, pois neste verso o eu lírico compara com inteligência e leveza a força e a sensibilidade encontrados na natureza feminina.
JD Gabriel faz um interessante jogo de relações com a personificação e a antítese nos versos primeiro e terceiro da terceira estrofe: “Eterno Anjo ou Tigresa” e “Sua ferocidade e delicadeza”, unindo mundos distintos com características peculiares, em um único Ser, a mulher, responsável em fortalecer o círculo vicioso que proporciona um constante descobrir de afinidades, tornando-os excessivamente dependentes. Ao mesmo tempo, em que
tal dependência é fruto de um capricho torna-se uma real cumplicidade, onde ambos se buscam e se desejam partilhando sentimentos como amor e amizade.

Por: Marcia

Um comentário:

  1. Oi Márcia!

    Incrível a sua análise literária! Parabéns pela perícia e ousadia em decifrar estes rabiscos poéticos.

    Obrigado por sua gentileza.

    Parabéns pelo "EDUCAR É ARTE!!!"

    Perfeito 2012 pra você!

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